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Você tem que conhecer: Ronaldo Silvestre

Se temos um trabalho local com pensamento global não existem barreiras nem fronteiras para a comercialização do produto criado. Neste sentido o Denim é essencial. É um tecido com alma, que nos ajuda a definir a identidade da moda autoral brasileira. Trabalhar o design aliado a fatores econômicos, sociais e ambientais impacta positivamente na transformação socioeconômica de pessoas em vulnerabilidade social” - Ronaldo Silvestre


Natural de Itabira, Minas Gerais, filho de costureira, Ronaldo Silvestre teve seu primeiro contato com a moda ainda criança. Em sua trajetória, começou a ver em cada peça de roupa um projeto como um todo. Seguindo o conceito slow fashion, atualmente ele assina coleções da sua marca homônima. Uma de suas paixões é o redesign na desconstrução de tecidos e formas. Atua como consultor em desenvolvimento de coleções, planejamento, gestão de produção e tendências de mercado, materiais e aviamento. Seu trabalho autoral conversa com temas da sociedade, como preocupações sociais, econômicas e ambientais, unindo ecodesign e economia criativa. É presidente do Instituto ITI, tecendo Itabira com igualdade, transformação e inovação através de projetos de qualificação de mulheres em situação de vulnerabilidade social. Inclusive, um dos vestidos feitos por elas já foi parar em Hollywood! Também trabalhou criando coleções de roupas e acessórios com as cooperativas Justa Trama, Unisol Brasil, Cooper Fashion, Futurarte e A Cara do Sertão. Desde 2003 já recebeu diversos prêmios. Em 2018 conquistou o ECOERA na categoria Gênero por Empoderamento Econômico Feminino e, em 2019, ganhou o Prêmio MUDA, da Vogue Brasil, Casa Vogue e Glamour Brasil, entre muitos outros.

Graduado em Design de Moda pela Universidade Estadual de Londrina, é especialista em Artes Visuais pelo SENAC.

A Capri convidou Ronaldo pra desenvolver uma jaqueta exclusiva com o tema Jeans do Brasil, com nosso tecido Algarve, o original Denim 100% algodão.

Conversamos com ele pra entender mais como traduz sua visão de mundo na moda, saber como Minas Gerais e Itabira inspiram suas criações, além da sua relação com o jeans e muito mais! Confira:


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Ronaldo Silvestre: Já participei de inúmeros eventos de moda pelo Brasil. São dezenas de coleções desfiladas em estados como Paraná, Minas Gerais, Brasília, São Paulo e Ceará. Em todas as coleções, eu trabalho as metáforas da minha vida e as minhas percepções sobre o mundo, as pessoas e o futuro.


“Minhas roupas misturam estilos ora funcionais, ora delicados, ora de uma exuberância pontual — todas as peças são produzidas com resíduos têxteis doados de algumas tecelagens, criando roupas únicas e atemporais e fortalecendo o Artwear feito no Brasil, com o design social e circular anteriores, em uma ideia de design circular”


Ronaldo Silvestre: Vestir a atriz e cantora Letícia Sabatella durante o programa Pop Star.

Criar e produzir, junto com o Instituto ITI, uma coleção cápsula trabalhando técnicas artesanais de bordado em viés para uma marca de moda festa que estreou na edição 43 do SPFW, em que um vestido de zibeline Italiana na cor vermelha, que foi escolhido pelo SPFW como um dos melhores looks da temporada. Na sequência o vestido foi usado na premiação do Globo de Ouro de 2018 pela Simone Johnson, filha do astro do cinema americano “The Rock” Johnson, e, no mesmo mês, a top apresentadora Caroline Ribeiro usou ele no Red Carpet do SAG Awards, ambos em Hollywood”


Ronaldo Silvestre: ESSENCIAL. O Denim é um tecido que nos permite trabalhar em todas as linhas do design: do casual à moda festa, do calçado à bolsa, da decoração à obra de arte. Uma matéria-prima que nos instiga a criar e sempre ir além do design da roupa. É a nossa segunda pele.


Ronaldo Silvestre: Eu gosto de trabalhar sempre com peças atemporais, que conversam com o guarda-roupa das pessoas que usam as minhas criações. Sempre com um olhar além nos meus processos de criação, de transformação do jeans, não só em viés, mas em desfiar, criar texturas e formas diferenciadas. Isso envolve tanto moda festa quanto moda casual. É entender a essência de cada jeans, como o tecido me permite trabalhar e extrair o máximo das possibilidades. Uma saia pode ser usada num dia a dia com uma camiseta jeans rasgada, mas se ela for usada com uma blusa festa noite é totalmente contemporânea e atemporal.


Ronaldo Silvestre: É justamente nesse ponto que eu coloco as minhas referências, minhas pesquisas e os meus processos de desenvolvimento de produtos sustentáveis. Precisamos conhecer todos os processos, principalmente sobre as tecelagens e tudo que existe por trás do desenvolvimento de novos tecidos. Desde o plantio do algodão até quem está produzindo, quem está trabalhando dentro das tecelagens. É mostrar o jeans em todo o processo de construção. É um tecido que, por mais que esteja dentro de uma indústria que é agressiva ao meio ambiente, ele mostra a nossa identidade. Traz a força do produto brasileiro e que vai conversar com o mundo inteiro.


“O trabalho de transformação social envolve também permitir que o outro tenha possibilidade de aprender uma profissão”


Permitir que pessoas em vulnerabilidade social tenham possibilidade de uma renda e um trabalho dignos. Se temos um trabalho local com pensamento global não existem barreiras nem fronteiras para a comercialização do produto criado. Neste sentido o Denim é essencial. É um tecido com alma, que nos ajuda a definir a identidade da moda autoral brasileira. Trabalhar o design aliado a fatores econômicos, sociais e ambientais impacta positivamente na transformação socioeconômica de pessoas em vulnerabilidade social. O jeans pode ser usado para produção de peças de uniformes corporativos, então, se treinamos grupos de mulheres em situação de vulnerabilidade social, oferecendo a chance de serem costureiras para fábricas, elas terão possibilidade de ter um retorno financeiro, um emprego, uma segurança muito maior e muito mais real do que trabalhar com pequenas reformas e ajustes.


“Em todas as cidades, por menores que estas sejam, sempre vão existir escolas, empresas e até mesmo grandes organizações que estão usando o jeans para uniformizar funcionários. Quando a produção se torna local, isto permite que aquele recurso que seria gasto na compra de um uniforme fique dentro daquela cidade, fazendo a economia circular acontecer. É por isso que eu defendo que o processo de produção de uma roupa enquanto vestimenta vai muito além da moda, das passarelas e da glamourização”


Ronaldo Silvestre: A principal dica é que a pessoa tem que ser apaixonada, não só pela palavra moda, mas por todo o significado e tudo que tem por trás! Procure entender o mercado e principalmente quais são as necessidades para onde o mercado tá caminhando, quais vão ser as buscas pro pós-pandemia, para 2022, se é justamente essa vertente que a gente trabalha, do fazer local com pensamento global, que é mostrar a nossa aldeia, mostrar o que é feito no interior do Brasil e que tem impacto fortalecido pro mundo inteiro.



Ronaldo Silvestre: Sobre o conceito da minha jaqueta, estamos vivendo num momento de pandemia. Pensei em criar uma peça com o sentimento capaz de ressignificar, mas que tivesse em sua essência prática de uso poliforme. É uma jaqueta polivalente. À primeira vista, ela tem o shape de um poncho, mas você abre os zíperes, coloca um cinto, vai mudando os formatos e se transforma em inúmeras peças em uma só, por exemplo: um poncho, uma jaqueta, um vestido e um casaco atemporal.


O lado autoral eu busquei em referências no artesanato do sertão mineiro, aquelas capangas que os boiadeiros usavam para se proteger no cortejo do gado de uma fazenda para outra”


Usei flores bordadas em tons terrosos pelas as alunas do Instituto nos processos de qualificação em costura. Os bordados apresentam algumas nuances, devido ao fato de que as alunas aprenderam a bordar em retalhos de Denim, que foram aplicados na jaqueta criando um elo entre o artesanal e o industrial.


Acompanhe Ronaldo nas redes sociais: @RonaldoSilvestre.ITI

Confira também as iniciativas do Instituto ITI: @InstitutoITI


A cidade do interior de Minas Gerais eternizada na poesia de Carlos Drummond de Andrade hoje, sob o olhar de seu conterrâneo Ronaldo Silvestre, é um mundo de possibilidades.


Mais criações de Ronaldo na galeria. Confira:


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