Buscar
  • capriconecta

Você tem que conhecer: Orivan Baptista

“A importância do jeans é infinita. Ele é o único artigo de moda que ganha ainda mais valor quando surgem os desgastes naturais e fica com aspecto vintage natural. Ninguém tem coragem de jogar um bom jeans no lixo, pois nos apaixonamos cada vez mais por ele” - Orivan Baptista



Natural de São Gabriel da Palha, Espírito Santo, Orivan Baptista dedica-se à indústria têxtil há mais de 20 anos, com “sangue capixaba, mas coração mineiro”. Quando mudou-se para estudar Publicidade e Propaganda em Minas Gerais, já tinha trabalhado em confecções e lavanderias em sua cidade natal. Desde 2018, regressou à Once Ville Beneficiamento Têxtil, onde trabalha atualmente. Já expandiu seu conhecimento sobre moda viajando para eventos na Europa, mas foi no Japão que encontrou sua maior pesquisa sobre hábitos de consumo jeanswear. Sua paixão pelo Denim é movida pelo objetivo de criar o melhor jeans com o menor impacto ambiental. Busca sempre contribuir para a indústria têxtil no dia a dia, fazendo com que o jeans se eternize sendo popular, com sustentabilidade.


Orivan é um dos profissionais da moda convidados pela Capri para desenvolver jaquetas exclusivas com o tema Jeans do Brasil. Cada estilista coloca sua alma e cultura regional em suas criações, tudo no nosso tecido Algarve, o original Denim 100% algodão.


Conversamos com ele para saber como foi atraído para a moda, a relevância do jeans e do Denim hoje em dia, como sua cultura inspira seus trabalhos, entre outros assuntos. Confira a entrevista:

Orivan Baptista: Quando eu tinha uns 15 anos, minha mãe era a famosa “sacoleira”. Eu comecei a participar do momento de buscar as mercadorias na cidade vizinha para revender, então fui percebendo que eu tinha um filtro valioso para observar as estampas, os tipos de tecido e os modelos que atendiam aos desejos das nossas clientes. Foi assim que comecei a me inclinar para esta área, por isso, hoje me identifico muito com o streetwear e o jeans, que nunca pode faltar nesses tipos de looks.


O estilo pessoal de Orivan Baptista em 3 palavras:

“Urbano, esportivo e clássico”


Orivan Baptista: Eu acredito que nesses últimos 20 anos produzindo jeans, a nossa cultura local teve a oportunidade de se mostrar mais autoral e não apenas cópia por cópia. Cada peça idealizada e executada pelos nossos colaboradores é sempre inspirada pelo desejo de produzir o melhor jeans.


“O trabalho mais importante que executei até hoje não se materializa em uma campanha ou em peças. A minha maior realização pessoal é poder contribuir com a indústria da minha cidade e observar quantas famílias são impactadas, quantos empregos já criamos. Houve um item desejo nosso que foi parar nas vitrines da Carlos Miele, em Paris, mas isso passa, e a melhor coleção sempre será a próxima!”


Orivan Baptista: O jeans nasceu para ser usado como uniforme, mas tem o espírito rebelde e mutável. Ele se transformou no principal standard para nossa indústria têxtil quando o assunto é sustentabilidade.


“Ele é democrático, conversa com todas as classes e está em todos os lares. A importância do jeans é infinita. Ele é o único artigo de moda que ganha ainda mais valor quando surgem os desgastes naturais e fica com aspecto vintage natural. Ninguém tem coragem de jogar um bom jeans no lixo, pois nos apaixonamos cada vez mais por ele”


Orivan Baptista: Jaquetas! Elas servem para proteger, são utilitárias na maioria das vezes, sem falar que beneficiar uma jaqueta é muita responsabilidade. As calças, os shorts e as bermudas são maioria no closet. Então, a jaqueta, na hora de encantar, precisa fascinar ainda mais.


“O projeto com a Capricórnio me ajudou a pensar muito sobre essa verdade. Estamos vivendo em um novo tempo, onde boas histórias devem ser contadas”

Atuar na Once Ville me ajuda muito a contar uma boa história, pois o nosso diretor, Gabriel Pratti, escolheu munir nossa lavanderia com equipamentos que impactam menos no meio ambiente muito antes de ser exigência básica na indústria. Por exemplo, com máquinas de laser e ozônio e, nos últimos dois anos, nossos fornecedores de produtos apresentaram alternativas adequadas aos nossos objetivos, o que vem tornando o trabalho melhor ainda. O Gabriel é nosso maior incentivador, ele nos permite sempre experimentar novas técnicas e processos, criando moda com custo-benefício e muita colaboração entre designers e colegas da produção.


Orivan Baptista: Se almeja atuar no mercado de moda, é preciso ser, antes de tudo, uma pessoa disposta a desafios. “Resiliência” é uma palavra para tatuar na pele. Os nativos digitais têm ainda mais chance de sucesso na nossa indústria, já que hoje existem muitas possibilidades online.


Orivan Baptista: A jaqueta tem como título “O Congo de Regência não vai morrer”. A peça conta uma breve história de parte da nossa cultura musical. Minha intenção foi homenagear as mulheres do Congo Capixaba, gênero de música que nasceu aqui no Espírito Santo, com muita influência do folclore e das religiões, sempre homenageando santos e padroeiros. Grande parte do nosso povo que cuida dessa tradição vive no litoral do estado. Madalena do Jucu, cantada pelo Martinho da Vila, viveu no Espírito Santo, na comunidade da Barra do Jucu. É mulher forte do Congo, que deixou uma história linda de luta pela preservação do gênero musical. A música foi um presente do seu pai e mestre Zé Maria. A ilustre Madalena, eternizada pelo samba, vive no coração dos capixabas. O destaque maior fica por conta do bordado manual, que recriou a festa em homenagem ao herói Caboclo Bernardo, consagrado em Regência, dos padroeiros da Vila São Benedito e Santa Catarina, santos homenageados nas festas de Congo.


“Esse bordado é uma homenagem em forma de standard para Vila de Regência, que pertence à cidade de Linhares. É um lugar mágico, pitoresco, onde vivem muitas famílias que dependem do resgate da cultura da pesca, turismo, arte e artesanato”

O Viés principal dessa história fica por conta do bordado manual feito pela Gizelle Agrizzi, uma das que ama e dissemina a cultura de Regência. Canções lindas foram compostas lá por artistas locais e amantes de Regência, que são tocadas nas festas de Congo e no famoso carnaval, com sua Fubica.


“Cuidar das histórias locais e das comunidades é dar valor à cultura. Essa gente, que foi tão prejudicada por agentes externos, tenta viver do resgate da sua cultura popular. Se eles conseguem viver da sua arte e do seu pescado, e, mesmo na luta, ainda cantam o seu Congo, essa história merece ser contada”


A sustentabilidade não está apenas ligada aos meios de produção e riquezas naturais, mas um projeto sustentável deve estar atrelado às questões sociais, promovendo e garantindo qualidade de vida das gerações. Tudo isso, dentro de suas histórias e valorizando o contato com o meio ambiente que as cerca. Preservar e respeitar a cultura local e manter comunidades na sua rotina é a verdadeira sustentabilidade.

“Viva o Congo de Regência”


Siga Orivan nas redes sociais: @OrivanDenim

Sua jaqueta foi feita em parceria com sua colega @GiaGrizziArtesanato na @OnceVille

Para conhecer mais sua cultura de Regência, ele indica a página da Associação de Moradores de Regência.

Vida longa à arte e cultura do Espírito Santo!


10 visualizações

AV. ANGÉLICA, 2582 . 11º ANDAR . SÃO PAULO, BRASIL 
© 2023 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS por GIZ BRAND STUDIO