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Você tem que conhecer: Marcella Cunha

“O jeans é a peça mais democrática da moda. Acho que isso a torna a mais importante dentro do cenário e da cadeia industrial” - Marcella Cunha


Orgulhosamente paulistana, Marcella Cunha começou sua atuação na área têxtil há 16 anos como representante institucional numa tradicional fábrica de São Paulo, onde começou a descobrir-se na carreira. Como acompanhava de perto o atendimento na área de Estilo, teve muito contato com marcas do Brasil inteiro. Então, quando ficou encarregada do Plano de Controle de Produção (PCP) numa outra fábrica de jeans, entendeu o funcionamento de uma confecção, abrindo portas para o que viria a seguir. Alguns de seus anos foram dedicados ao chão de fábrica, apaixonando-se cada dia mais pela indústria. Por um curto período, foi modelista, mas logo assumiu a área de Estilo e buscou toda a capacitação para se especializar no setor. No SENAI Têxtil, cursou Desenho de Moda, Tecnologia Têxtil, PCP, Modelagem e Construção do Denim. Recentemente participou, do curso online Do Algodão ao Denim, da Denim City SP.


Já atuou em mais de dez marcas da capital paulista. Hoje trabalha para as oito marcas do Grupo FK, de Goiânia, e para a Sol Jeans, a Austin e a Via Onix, de São Paulo. Ela também representa a Premiere Etiquetas e Metais, que fornece todos os aviamentos necessários para conclusão de peças


Marcella é uma das desenvolvedoras das jaquetas Jeans do Brasil exclusivas para a Capricórnio, no nosso tecido Algarve, o original Denim 100% algodão. Entrevistamos ela para saber como acredita que o Denim pode trazer mais verdade ao mundo, uma dica para quem quer se inserir no mercado da moda, entre outros assuntos. Confira:


Marcella Cunha: Comecei a convite de uma amiga que precisava ser substituída na função de representante institucional na Têxtil Canatiba. Na ocasião, eu nem imaginava entrar para esse mercado, estava me formando em Locução de Rádio. Quando fiz a entrevista na empresa e fui contratada, olhei aquela infinidade de artigos e jamais imaginei que estava conhecendo o produto que mudaria o rumo da minha vida para sempre. Minha primeira visita à fábrica foi emocionante. Me arrepia de lembrar até hoje. Tenho certeza de que eu não saberia fazer outra coisa que não fosse trabalhar com Denim. Fui picada pelo bichinho do jeans e meu sangue é azul desde então. Só posso agradecer pela oportunidade que tive desde o início, porque meu amor e dedicação foram tão grandes nessa empresa, que até hoje colho frutos da história que iniciei lá em 2004.


Como você relaciona a sua cultura e a cultura da sua região com as peças que idealiza?

“Minha cultura é totalmente urbana, já que vivo na selva de pedra de São Paulo. Sou completamente apaixonada por minha cidade e pela diversidade cultural que temos aqui. Grande parte do meu trabalho é baseado no comportamento cultural, ponto alto do qual me aproprio para finalizar uma criação”


Para mim, uma peça é boa se puder ter seu uso ilimitado, assim como é São Paulo. Tudo funciona o tempo todo. É claro que para tudo também temos as exceções e calmarias, que essa metrópole também nos oferece. É uma questão de ponto de vista, e, na minha criação, depende do cliente para o qual estou trabalhando.


Marcella Cunha: Um dos meus trabalhos de destaque e que marcou muito minha vida profissional foi a Coleção de Verão’16 da Transmissão Jeans. Nunca me esqueço da repercussão que tivemos com esse lançamento. Elevamos o patamar da marca na ocasião, e agradeço muito ao saudoso Jorge Elias pela confiança que teve em meu trabalho. Infelizmente, muitas imagens foram perdidas para ilustrar, mas a lembrança é muito acesa dentro de minha memória e marcante em minha história.

“Outro momento que me marcou muito foi no início de 2018. Eu já fazia parte da equipe de desenvolvimento da Sawary, e a marca estava em parceria com a cantora Anitta. No carnaval, a cantora escolheu uma peça minha para subir no trio elétrico e apresentar o Bloco das Poderosas, no Rio de Janeiro”


“O jeans é a peça mais democrática da moda. Acho que isso a torna a mais importante dentro do cenário e da cadeia industrial”

Por isso, é tão importante termos o mercado aberto para todos os segmentos. Todos queremos maiores valores agregados aos nossos produtos, mas não podemos fechar os olhos ao mercado que faz nossa roda se manter girando o ano inteiro, que são os produtos commodities.


Marcella Cunha: Eu amo trabalhar o jeans no geral. Apesar de estar muito mais focada no mercado feminino, tenho uma paixão especial pelo jeanswear masculino. Acho que é um mercado que ainda pode ser muito bem explorado. Trabalhar para a moda masculina, aparentemente mais simples, é um mercado que vem mostrando-se cada vez mais exigente, e isso é extremamente encantador. Os desafios me atraem e por isso gosto muito desse mercado.


“Poder trabalhar cada vez mais com produtos que transmitam confiança ao consumidor final é a melhor forma de trazê-lo para perto de nós. Desde a colheita da matéria-prima até o acabamento do produto”


Engajar toda cadeia produtiva para oferecer um produto limpo e de verdade para nossos consumidores e ainda conseguir comunicar todo esse processo não é um trabalho simples. Porém, pode e deve ser cada vez mais possível. É disso que precisamos. É isso que o mercado está demandando cada dia mais.


Marcella Cunha: Se esse é seu sonho ou seu desejo, minha única dica é: estude! Não tem outra forma de conseguirmos realizar qualquer coisa. As oportunidades podem aparecer, mas se você não estiver capacitado ou disposto a se capacitar, tudo será em vão.


“Daqui para frente, todo e qualquer tempo que você tenha use a seu favor. O mercado da moda é extremamente dinâmico, e acompanhar esse dinamismo não é tarefa fácil. Uma coisa é certa: quem entra para esse mundo nunca mais quer sair! Por isso, ame o que você escolher fazer e faça com prazer. A satisfação de ver seu produto sendo usado, comercializado ou comentado não tem preço”


Marcella Cunha: Para uma paulistana apaixonada, retratar São Paulo foi, como costumamos dizer por aqui, “muito louco”. Não daria para traduzir Sampa sem dar a opção de se ter duas peças em uma. É normal termos todas as estações climáticas em um só dia em SP, por isso a ideia de poder retirar a manga. Com a versatilidade do tecido Algarve foi ainda mais fácil, pois o caimento nos proporciona inúmeras possibilidades. Agora, para falar de São Paulo, não pensei duas vezes em me unir ao meu tio, Eric Lovric, paulistano do Cambuci, artista gráfico, que além de ter trabalhado para vários estúdios, tem o seu próprio, a Communicartoons. Ele é o criador do Capitão São Paulo, o primeiro super-herói da cidade.

“Na arte, ao invés de símbolos arquitetônicos específicos, a escolha mais natural como simbologia foram os 30 mil arranha-céus que compõem a paisagem da cidade. Como o grafite e a pichação são grandes características de São Paulo, foi natural que ambos se fizessem presentes. A junção de tudo isso torna-se única aos olhos de qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, quando se fala de São Paulo. Essa cidade que transforma o caos em arte, que perde o ar na poluição, mas não para de respirar nunca”


Acompanhe Marcella nas redes sociais: @_Marcella.Cunha_

E não deixe de conferir as artes de seu tio e colaborador na construção da jaqueta, @EricLovric e seu personagem inédito @CapitaoSaoPaulo


Existe amor, arte, cultura e muita moda em SP!



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