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Você tem que conhecer: Guilherme Gaspar

Atualizado: Ago 20


“O jeans é resistência, ele perpassou todos os movimentos sociais, nos anos 70, 80, 90. Vários tecidos deixaram de existir, mas o jeans resiste há quase 150 anos. Tem tudo a ver com a cultura jovem. E, quando você pesquisa, é apaixonante!” - Guilherme Gaspar

Natural do Rio de Janeiro, Guilherme Gaspar é estilista, consultor de moda, especialista em jeanswear, coordenador de coleção e desenvolvimento de produtos e palestrante. Há 20 anos vem planejando, pesquisando e fazendo gestão de equipes. Construiu sua carreira de sucesso no grupo S2 Holding, como coordenador de estilo jeans na Cantão, tradicional marca do Rio de Janeiro em que trabalhou por 14 anos. Também foi estilista no grupo Sacada, diretor de estilo na My Place e consultor e coordenador de estilo na Aviator. No momento é consultor de estilo na Armadillo.

Em 1994 formou-se como técnico de Malharia e Confecção pelo Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil (SENAI CETIQT). Concluiu, em 2006, o curso de Design de Moda pela Universidade Veiga de Almeida.

Ele é um dos convidados da Capri pra desenvolver uma jaqueta exclusiva com o tema Jeans do Brasil, com nosso tecido Algarve, o original Denim 100% algodão.

Conversamos com Gaspar pra saber mais sobre sua trajetória, suas percepções sobre o jeans na atualidade e um pequeno spoiler da sua jaqueta Capri. Confira a entrevista super descontraída:


Como começou sua história com a moda?

Guilherme Gaspar: Meu pai é engenheiro têxtil e engenheiro químico, então ele sempre trabalhou na indústria têxtil. Aqui no Rio de Janeiro, o SENAI CETIQT era a principal escola têxtil da América Latina. Várias pessoas do Brasil vinham pro Rio estudar lá, e meu pai foi ex-aluno dessa escola. No ensino médio, eu era super criativo, pensava em ser jornalista ou ator porque nunca gostei de rotina. Sempre quis usar a criatividade, ter uma pauta diferente a cada dia, sem roteiro e com uma vida dinâmica.

Quando meu pai falou pra eu estudar no SENAI CETIQT, pensei que eu não tinha nada a ver com a área. Ele disse pra eu fazer um curso primeiro e depois eu poderia ir atrás do que queria, mas que pelo menos uma base eu tinha que ter.


“Na época eu tinha três opções de cursos pra escolher: Química Têxtil (pensei ‘não vai dar, é muito número’), Fiação e Tecelagem (falei ‘nem pensar’) e Malharia e Confecção, esse sim eu achei que ia ser legal e fui nessa. Aí o que aconteceu comigo? Eu nunca mais saí da área!”




Como você relaciona a sua cultura e a cultura

da sua região com as peças que idealiza?


Guilherme Gaspar: O Rio de Janeiro é uma região muito diferente do Brasil. O calor influencia demais o nosso estilo de vida, então a minha criação precisa refletir isso em roupas despojadas e leves. O Rio é um local de sol e muito descontraído. Eu, trabalhando sempre em marcas aqui do Rio de Janeiro, vejo que o carioca tem isso de querer ser um despojado chic. O que seria o clichê do despojado chic do Rio de Janeiro? Ela vai estar com aquela Havaianinha, a calça jeans, o cabelo meio desarrumadinho, só que tudo isso é bem pensado. Muito despretensioso, mas com o charme do Rio de Janeiro. As marcas em que eu trabalhei sempre buscam atender ao lado desse carioca que é descontraído, mas a roupa comunica onde ele quer ficar.

Na minha criação eu tento traduzir isso, o relax, não montado. Hoje se fala muito que com o home office as pessoas vão querer leveza, mas isso sempre foi pauta do Rio!”

Quais foram os trabalhos mais importantes da sua carreira?

Guilherme Gaspar: A participação no Fashion Rio foi muito importante pra mim. Foram grandes oportunidades de trabalhar com profissionais de renome, como Pedro Salles, Paulo Martinez, que já foi stylist do Cantão, e com muitas modelos bacanas, como Isabeli Fontana e Carol Trentini. O desfile traz isso de você levar uma equipe da pesada. É todo um coletivo por trás. Então, estar junto naquele momento do Cantão foi muito importante pra mim.

Sempre participei de seminários, como o SENAC Informação, onde fui palestrante durante vários anos. Eu era o nome pra falar de jeans e sobre a cultura do Denim. Até porque, o Rio sempre teve muito forte as marcas icônicas de jeans, que fizeram sucesso demais nos anos 80 e 90.

Também faço parte do CRIÁVEL, da Renata Abranchs. É um movimento de vários pesquisadores, onde estudamos ao longo de meses as principais correntes do mercado. Eu sou o especialista em Denim deles, então sempre faço a pesquisa com olhar pro jeans. Fazer parte do time da Renata é muito importante pra mim. Me atualiza, me faz pesquisar e me faz ter contato com outros pesquisadores, tentando entender o que acontece no comportamento das pessoas que está influenciando o jeans.



Hoje em dia, qual é a relevância do jeans?

Guilherme Gaspar: O jeans tá se reinventando, porque hoje ele é muito patrulhado pelo consumo de água, mas a indústria do Denim é potente. Então, eu consigo enxergar esse novo Denim se adaptando a 2020, 2030, 2040, consumindo cada vez menos água. E o jeans é um tecido resistente, que tem valor emocional. Quanto mais velho ele fica, mais bonito ele é, então não tem tanto o conceito do descarte.


“A indústria tá o tempo todo em transformação. Quando falamos em sustentabilidade, não é só ter uma matéria-prima sustentável, mas ser sustentável na cadeia inteira. O Denim, quando é bem gerido, é muito bonito, porque você lida com muitas mãos. Pra você fazer uma calça jeans, tem que passar por um grupo enorme de pessoas, gerando muitos empregos”

Quais as peças jeans que você mais gosta de trabalhar?

Guilherme Gaspar: É engraçado isso, porque eu uso muito mais jaquetas. Pra mim, a jaqueta é aquela terceira peça que amarra um look. Você colocou a jaquetinha e ela já te compôs e te deixou mais elegante. Eu adorei o projeto de fazer a jaqueta. Quando a gente fala em jeans, vem à nossa cabeça a calça, mas, pra mim, a jaqueta tá sempre ali rivalizando com a calça. Claro, a gente usa mais calça aqui por causa do clima, mas a jaqueta te deixa mais fashion.





Como você acredita que podemos trazer mais verdade pro mundo através do Denim?

Guilherme Gaspar: Temos que contar as histórias que estão por trás das marcas. A gente viveu uma era em que a marca se colocava num patamar de soberania, era um pensamento assim ‘se você não usar minha marca, você não é ninguém’ muito excludente.

“A verdade é a pauta que a gente quer”

Hoje a gente tá muito mais preocupado com o que acontece por dentro do que com a vitrine da marca. Pra mim, hoje, trazer essa verdade é você estar mostrando o processo de desenvolvimento do trabalho, como é feito e quem são as pessoas por trás. Porque existe gente que tá ali criando e revisando seu tecido. Acho que esse é o futuro. O Denim tem muitas histórias, então é um grande movimento abrir a sala das indústrias, fábricas e organizações pra mostrar a verdade de fato.

Uma dica pra quem quer se inserir no mercado da moda.

Guilherme Gaspar: Essa é uma dica que eu já ouvi de algumas pessoas e assino embaixo: você tem que começar a trabalhar na área. Como estagiária, colando num stylist que você gosta, trabalhando na vitrine da marca que você curte.


Começar a entender toda a mecânica da moda, das coleções, das entradas, assim o movimento vai gerando mais movimento”


Não é só a formação, é o networking que você constrói. Você pode não ter experiência, mas tem o frescor de ser jovem, e a juventude dentro de um ambiente criativo de ensino também é uma moeda pra se trocar. E, aí, quando acabar o curso, você já tem essa experiência e sabe onde quer se posicionar. Nosso ambiente é muito fragmentado, você pode trabalhar com modelagem, criação, que é o meu caso, ou fornecimento, tecelagens, comunicação… tudo isso é moda!


Hoje em dia, nós, estilistas, também somos comunicadores. A gente vai ter que saber como escrever melhor, fotografar, editar, filmar. O mercado mudou, então hoje eu vou ter que ser estilista e vendedor, mostrar meu produto.

Podemos ter um sneak peek da sua Jaqueta Capri?

Guilherme Gaspar: Quando eu recebi esse desafio da Capricórnio, eu pensei ‘quem é a garota do Rio hoje?’, e comecei meu brainstorming. Hoje, pra mim, a garota do Rio seria a Anitta, que tá pro mundo, é a artista brasileira de maior destaque. Ela veio lá de Honório Gurgel e hoje tá bombando! Aí eu fiz minha pesquisa, como ela começou cantando nos bailes funk, sempre com uma coisa muito carioca: o shortinho jeans. A criação da carioca típica é o shortinho. É impressionante, porque, tá sol? Shortinho. Tá frio? Moletom e shortinho. Inclusive, quando falamos de jeans pensamos em calça, mas o shortinho tá aí também!


“Como a Anitta levaria essa jaqueta da Capri pra um show, pra um baile funk, em 2020? Aí eu pensei ‘e se uma garota quisesse usar essa jaqueta num brunch no Copacabana Palace? E a garota do Leblon, e se ela quisesse usar na Dias Ferreira pra jantar?’ Então a jaqueta que eu imaginei vai transitar o Rio. Esse é meu spoiler!”

Siga Guilherme nas redes sociais: @Guilherme_GGaspar

Confira também o @DenimTalks.br criado por Guilherme Gaspar. É a comunidade que dá voz, ouve e valoriza os profissionais do Denim. O projeto surgiu em 2020 em meio ao isolamento social.


“Eu sempre penso assim, se uma informação foi nova pra mim, ela vai ser nova pra outras pessoas. Então toda a semana eu convido um profissional pra vir ao meu Instagram pessoal fazer a live, depois conto a história dele no perfil do Denim Talks”


Um shout out pra Verônica Black, quem faz toda a parte gráfica do Denim Talks. Ela é estilista, professora, desenhista, ilustradora e esposa de Guilherme.

Viva a comunidade Sangue Azul, da cor do nosso amado Denim!


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